segunda-feira, 28 de março de 2016

Com mais de duas mil integrantes, coletivo ciclofeminista Ciclanas completa um ano

(Matéria Original publicada no Vá de Bike - http://vadebike.org/2016/03/ciclanas-coletivo-feminista-mulheres-ciclistas-fortaleza/)

Confraternização das Ciclanas no final do ano passado. Foto: Ciclanas
Confraternização das Ciclanas no final do ano passado. Foto: Ciclanas
Quando março chega, e com ele, o Dia Internacional de Luta das Mulheres, surgem homenagens que geralmente incluem flores, cosméticos e outros itens que reforçam a ideia estereotipada de feminilidade. O que para uns pode ser cortesia, para outros (e principalmente, outras) não é percebido dessa forma. Foi uma situação como essa que motivou o surgimento das Ciclanas, coletivo ciclofeminista de Fortaleza que há um ano reúne mulheres que debatem o uso da bicicleta na capital cearense. Elas recusaram as flores e foram em busca de autonomia e voz.
“Um ciclista sugeriu num grupo no Facebook que no oito de março flores e cartões fossem distribuídos para mulheres em uma ciclofaixa da cidade”, contou a jornalista Rosana Reis, durante atividade das Ciclanas no Lady Fest, em Fortaleza, no último dia 11 de março. “Sabíamos que a intenção era boa, mas o significado desse dia é outro”. Mesmo explicando as razões políticas da data, as mulheres que disseram não à iniciativa foram hostilizadas por membros do grupo que não compreendiam suas razões.
“A Ciclovida (Associação dos Ciclistas Urbanos de Fortaleza) já havia nos procurado para realizar uma ação. Quando esse fato ocorreu ficou ainda mais evidente a necessidade de um espaço seguro para falar abertamente sobre o que vivíamos enquanto mulheres e ciclistas, sem ter que nos preocupar com o julgamento dos homens”, lembra. Rosana e mais duas ciclistas (entre elas, a autora desta matéria) organizaram uma roda de conversa para mulheres que já usavam a bicicleta ou gostariam de adotar o veículo.
Surgiam as Ciclanas, que atualmente contam com mais de duas mil integrantes em seu grupo fechado do Facebook. No espaço virtual elas falam sobre assédio, machismo dentro do cicloativismo, mecânica de bicicleta, violência urbana e outros temas ligados a gênero e bicicletas. Fora da internet, palestras, debates, pedaladas, oficinas de alongamento, mecânica para mulheres e até uma cicloviagem são algumas das ações já realizadas pelo grupo.
Há um ano, o grupo (ainda sem nome) se reunia pela primeira vez Foto: Sheryda Lopes
Há um ano, o grupo (ainda sem nome) se reunia pela primeira vez Foto: Sheryda Lopes

Machismo

Os debates são destacados pela cabeleireira Karla Kizzy, 36, como uma grande contribuição do coletivo. “Ter conhecido a realidade de outras mulheres em relação ao seu cotidiano, sua relação com a bike para locomover-se para trabalho, faculdade e afins, assim como assédio e violência que enfrentamos, a constante luta contra o machismo tanto no trânsito quanto na sociedade… tudo isso fez meu pensamento resgatar o que eu tinha esquecido em mim”.
Karla acredita que é importante que mulheres ciclistas de outras cidades se encontrem e debatam essas questões, o que já vem acontecendo: já existe o Ciclanas Blumenau, inspirado na experiência em Fortaleza, e durante o I Fórum Nordestino da Bicicleta realizado em Recife, no ano passado, um debate com a presença do grupo provocou reuniões com outras mulheres nordestinas, que já começam a se articular em suas cidades. Lembrando ainda que essa não é a primeira experiência feminista que envolve o ciclismo: em São Paulo, por exemplo, o coletivo Pedalinas iniciou suas atividades em 2009.
Para a ciclana Renata Araújo, 31, psicóloga, o feminismo tende a transformar o cicloativismo, que ainda é composto, em sua maioria, por homens. Em Fortaleza, ela acredita que o machismo ainda é presente de forma ampla, tanto no trânsito quanto em outros espaços. Porém, sente que o número de mulheres que pedalam em Fortaleza aumentou em relação ao último ano e comemora o fato de o assunto ser discutido. “As mulheres estão se unindo e percebendo a potência disso, elas estão lutando mais, aceitando menos o machismo nosso de cada dia e estão nas ruas”, analisa.
Oficina de lambe-lambe e estêncil em parceria com o coletivo Mulheres no Graffiti, também de Fortaleza Foto: Ciclanas
Oficina de lambe-lambe e estêncil em parceria com o coletivo Mulheres no Graffiti, também de Fortaleza. Foto:Ciclanas

sábado, 26 de março de 2016

A bicicleta como ferramenta de emancipação da mulher

(Matéria original no Vá de Bike - http://vadebike.org/2013/03/bicicleta-emancipacao-feminina/)


  | ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO EM 2 DE NOVEMBRO DE 2015


Três mulheres habilidosas (e dois homens inconformados), por volta do ano de 1900.
“Andar de bicicleta fez mais pela emancipação da mulher do que qualquer outra coisa no mundo”, dizia a feminista americana Susan Anthony, no final do século XIX. E não sem motivo: a magrela deu liberdade de deslocamento para as mulheres, permitindo que fossem sozinhas de um lugar ao outro, e ajudou a mudar o vestuário que limitava seus movimentos.
Naquela época, médicos como o francês Phillipe Tissié afirmavam que pedalar faria mal às mulheres, podendo causar até esterilidade feminina. Outros afirmavam que a bicicleta seria indecente, porque traria prazer pela “fricção nas partes íntimas”. Talvez fosse uma argumentação criada em torno da recusa em aceitar que as mulheres conquistassem essa autonomia, mas felizmente já havia quem defendesse seu uso, como o também francês Ludovic O’Followell, que afirmava que pedalar fazia bem à saúde feminina.
Mulheres defendendo o direito ao voto em Londres, no início do século XX
Mulheres defendendo o direito ao voto em Londres, no início do século XX

Feminismo

As americanas e francesas foram as pioneiras no uso da bicicleta. Essa liberdade pessoal chegou em um momento em que as mulheres iam à luta por seus direitos, especialmente ao voto, à propriedade e a assinar contratos, e as feministas apoiaram a novidade.
Elizabeth Staton, que trabalhou com Susan Anthony pelos direitos das mulheres por mais de 50 anos (e, segundo algumas fontes, tinha com ela uma relação romântica), chegou a dizer que “a mulher está pedalando em direção ao sufrágio”.  Maria Pognon, presidente da Liga Francesa de Direitos da Mulher, afirmava que a bicicleta era “igualitária e niveladora”, ajudando a “libertar o nosso sexo”.
A imagem da bicicleta ficou ligada à figura da New Woman nos Estados Unidos, o conceito de mulher que contestava os papéis tradicionais e se envolvia com o ativismo, reivindicando principalmente o direito de voto.

As "bloomers" permitiam liberdade de movimento e facilitavam o uso da bicicleta.
As “bloomers” permitiam liberdade de movimento e facilitavam o uso da bicicleta.

Liberdade

Essa é a palavra que melhor define a bicicleta. E já era assim no final do século XIX. Antes dependendo da anuência e ajuda dos homens para levá-las onde desejavam ir, americanas e europeias começaram a se locomover conforme sua vontade e disposição, conquistando autonomia. Passaram a circular mais pelo espaço público, a ir mais longe e a se reunir com outras mulheres sem a presença de homens, fosse para discutir e trabalhar pelos seus direitos ou apenas para se divertir.
Como consequência da vontade e da necessidade de usar a bicicleta, as mulheres conseguiram se libertar também das vestes que as sufocavam. Grandes saias, que pesava e limitavam seus movimentos, e espartilhos apertados, que machucavam seus corpos, foram substituídos por roupas mais leves e justas, como os spencers (uma adaptação do casaco masculino usado à época) e as calças bloomer. Lançadas em 1850 por Amélia Bloomer, aliada de Susan e Elizabeth e editora do primeiro jornal voltado às mulheres, as calças largas lembravam um pouco as saias, mas permitiam um uso mais confortável da bicicleta e facilitavam até o caminhar.
A bicicleta trouxe às mulheres liberdade de movimento e de deslocamento, direta e indiretamente, deixando um legado que se estende aos dias de hoje. E já estava, há mais de um século, situada em meio a lutas e conquistas de direitos e liberdades, acompanhando quem lutava por uma sociedade mais justa e igualitária.

(Matéria original no Vá de Bike - Clique aqui para acessar)

Fotos

quarta-feira, 23 de março de 2016

Bicicletas Feministas


Olga Benario, Audre Lorde, Assata Shakur, Anita Garibaldi, Emma Goldman, Frida Kahlo. Nomes poderosos (e empoderadores) de mulheres que fizeram história e fizeram das tripas coração para quebrar/desconstruir o racismo, o capitalismo, o classismo e, obviamente, o machismo da época em que viveram/lutaram. Nomes que, hoje, encontram-se como velhas amigas para bater um papo. Na imagem, um encontro entre Emma e Olga.

Esses são os nomes das bicicletas das minhas amigas (e da minha própria, lógico). Ao nos encontrarmos, nós, mulheres feministas com suas bicicletas, ganhando as ruas que nos são rotineiramente impedidas, e de uma forma não-convencional – afinal, mulheres que usam a bicicleta como meio de transporte ainda pouquíssimas nas grandes capitais do nosso país, segundo contagens de ciclistas que são feitas rotineiramente por associações e ONGs de apoio ao uso da bike – estamos também agindo, de certa forma, como as moças que inspiraram os nomes de nossas bicicletas.

Estamos todas em luta.

Estamos indo e vindo. Com liberdade de transitar para onde e quando nós queremos. Sem problemas com horário, sem estarmos presas dentro de uma estrutura de aço, fechada, reclamando da vida e do engarrafamento do qual esta própria pessoa e carro são co-responsáveis.

Estamos lutando pelo fim da cultura do medo que cerceia as grandes cidades. Medo que, sabemos, atinge bem mais as mulheres. Afinal, estamos ali, expostas, sem a “proteção” da estrutura de aço do carro. Expostas à carrocracia. Expostas à violência comum a todas as pessoas, mas expostas também à violência específica que só nós, mulheres, sabemos qual é. Expostas, sempre, ao machismo nosso de cada dia. Às mulheres negras, ainda mais uma exposição: ao racismo nosso de cada dia.

São muitas exposições, sim. Mas essas exposições também são uma forma de lutar contra várias culturas e sistemas aos quais somos contrárias. Estamos lutando contra o capitalismo, que afirma que a pessoa precisa de um carro para ter status social, afinal, a bicicleta é o meio de trEansporte mais democrático dentre todos: é para rico/a, é para pobre. É para todos. E precisa ser visto que é, também, para TODAS.

Mulheres ciclistas em Londres participando do Movimento Sufragista no início do século.

Mulheres feministas negras que usam a bike como meio de transporte estão lutando contra o racismo, expondo para o mundo seus cabelos crespos/cacheados e sua pele negra, expondo seus turbantes, expondo sua indumentária e vestimentas, e saindo do lugar no qual a sociedade espera que elas estejam. E esse lugar, com certeza, não é a rua.

Estamos, todas nós, juntas ou em pedais solitários, lutando contra o machismo, a partir do momento em que não aceitamos o assédio nas ruas enquanto nos locomovemos de bicicleta (e em nenhum outro momento, ressalte-se) e a partir do momento em que fazemos a diferença em termos de número de ciclistas mulheres ocupando os espaços públicos. Muitas de nós fomos educadas para ficarmos dentro de casa, cuidando da casa e dos filhos, e a cena de uma mulher pedalando livre, solta e feliz (eu ainda canto! J) pelas ruas - e fazer o mundo entender que isso não significa liberdade para os homens nos invadirem, seja fisicamente, seja verbalmente - é algo com a qual a sociedade ainda se acostumar. Mas nós estamos aí, ajudando neste processo. Somos poucas, mas não somos silenciosas, nem admitimos silenciamento de nossas vozes.

Por isso, mulheres, peguem suas bicicletas. Venham para a rua. A rua é nossa. Com filhos, sem filhos, o mundo também nos pertence. E a bicicleta é uma potente arma para mostrar à cidade que estamos aqui e que não aceitamos mais ter “direito” (ou dever?) apenas ao mundo privado. E – o mais legal – muitas vezes, você não precisa dizer uma palavra para mostrar o seu poder e as suas demandas como mulher. É só subir no selim da bici e ganhar o mundo rumo ao seu destino (ou mesmo sem destino, o que é uma delícia!), um mundo que também é nosso por direito. Muitas vezes, uma imagem ou uma cena que quebra o cotidiano das pessoas vale mais do que qualquer palavra de (des)ordem.
Então, que o espírito de luta dessas mulheres maravilhosas que homenageamos ao nomear nossas bikes esteja sempre conosco! \o/

E, quem tiver tempo, colocar os nomes dessas moças que nomearam nossas bicicletas no Google é um ótimo aprendizado sobre empoderamento. São mulheres inspiradoras.

terça-feira, 22 de março de 2016

Bicicultura 2016

Texto de pedido de apoio e inscrição na seleção para o Bicicultura 2016, que vai acontecer em São Paulo, de 26 a 29 de maio de 2016.
Queres saber mais detalhes sobre o Bicicultura? Clique AQUI.
LogoBiciculturaSite_v5 
“Feminismo, Maternidade e Cicloativismo: as experiências pessoais de uma Mãe que trocou o carro pela bicicleta na cidade do Recife.”
A proposta consiste em relato de experiências vividas por uma mãe solteira de duas crianças (06 e 11 anos) que passou a utilizar a bicicleta como principal meio de transporte em uma cidade do Nordeste pouco acolhedora às pautas cicloativistas.
O uso da bicicleta como meio de transporte é bastante defasado na mulheres em função de vários temores impostos pela cultura patriarcal, que não nos livra dos assédios e do medo (e real possibilidade) de estupro. O medo do trânsito, para muitas, acaba por não ter nem tanta força quanto a força dos medos aos quais as mulheres são submetidas desde meninas, e que acabam sendo fundamentais para elas no impedimento do uso da bicicleta como meio de transporte.
Depois que as mulheres têm filhxs, a coisa piora: nossa cultura não quer que as mães ocupem seus espaços nas ruas. E usar a bicicleta significa afirmar que sim, as mães também querem ocupar seus espaços além do âmbito privado. É como se ser mãe significasse que esta mulher viva exclusivamente em função de filhxs.
Além disso, há o fato da responsabilidade sobre as crianças ser praticamente toda das mulheres na nossa cultura, o que faz com que ela tenha que assumir, na maioria das vezes sozinha – afinal, são muitas as “mães solteiras” ou mesmo casadas que não contam com uma divisão justa de tarefas com relação à criação de filhxs – toda a logística com relação às idas e vindas das crianças, e isto implica em uma maior utilização do transporte coletivo (se ela não tem condições de adquirir um carro) do que o uso da bicicleta por estas mulheres, por acreditarem que a bicicleta não é um transporte viável para mães, especialmente as que possuem mais de uma criança.
Mães ciclistas são julgadas como “loucas” por estarem “expondo” as crianças à violência do trânsito, como se não houvesse violência no uso de outros modais. É mais uma forma de tentar nos manter em ambientes apenas privados, como é pré-determinado por nossa cultura.
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As experiências a serem apresentadas vêm de uma mulher branca e nordestina de classe média (eu mesma), que nasceu dentro de uma cultura carrocrata e patriarcal, e passou, ao longo de três anos e meio de cicloativismo (incorporados aos 8 anos de ativismo dentro do movimento Feminista e do movimento pela Humanização do Parto), a incorporar novos paradigmas na sua vida e na vida de seus filhos.
Importante frisar que mães são absolutamente invisibilizadas dentro de nossa sociedade. Não dispomos de espaços públicos receptivos às nossas crianças, não dispomos de suporte vindo do estado com relação à infra-estrutura para estudar e trabalhar (hotelzinho e creches públicas), em eventos de todos os tipos sempre esquecem de incluir as mulheres que são mães e que não contam com qualquer tipo de suporte social, pensando em um ambiente que possa também acolher suas crianças. Em atividades ativistas, considero que este suporte seja fundamental, visto que as mães são a principal referência das crianças para uma real mudança de cultura. São elas quem verdadeiramente educam estes novos ativistas. Se locais que visam essa desconstrução cultural não se voltam também às crianças, estimulando-as a também adquirirem senso crítico e serem futuros agentes ativos (e, melhor, naturalmente ativos, pois crescerão sem precisar desconstruir muita coisa, em função da educação que recebem hoje, que já é voltada a todas as desconstruções possíveis), não estamos fazendo muito por essa mudança que tanto se almeja.
Finalizando, a proposta é de apresentação de experiências relacionadas à bicicleta e intermodalidade (sendo a bicicleta o principal meio de transporte atualmente), incluindo a experiência de inserir nas crianças a cultura da bicicleta (e, consequentemente, no meio social deles, pois numa escola onde só se chegam alunos/as de carro, chegar de bike já quebra muitos conceitos com uma simples visualização desta “chegada incomum”), fazendo sempre os importantes e necessários recortes de gênero durante a apresentação, com auxílio apenas de computador/projetor para exibição de apresentação em PowerPoint e, se possível, som, para ilustração das falas com fotos e vídeos.
Proposta de tempo e formato: 45 minutos de apresentação + rodada de debate pós-apresentação.
Se for possível incluir as duas crianças no evento (inclusive custeio de translado e hospedagem em local que caibam as três pessoas), seria excelente. Primeiro, pela falta de suporte social ao qual se fez referência no texto acima. Segundo (e MUITO importante), por motivos também já expostos, de incluir crianças em eventos que visam desconstruções culturais, com o intuito de incentivo ao uso da bicicleta e, consequentemente, ajudar na formação de agentes ativos mirins desta mudança. Caso seja possível, podemos pensar na possibilidade de incluir o relato deles na apresentação, o que seria bastante incomum, bonito e interessante.
Se não for possível, sem problemas. Mães sempre dão um jeito. :)))
Atenciosamente,
Paty Sampaio L’été, Mãe de Yago (11 anos) e Nina (06 anos)

segunda-feira, 21 de março de 2016

Aplicativo pernambucano une mulheres contra a violência doméstica

A plataforma surgiu após relatos de agressão denunciados em um grupo no Facebook
A violência doméstica nem sempre é encarada de maneira solidária entre amigos e familiares. Por esse motivo, a sororidade, palavra que define o acolhimento em um pacto de proteção entre as mulheres, pode ser uma das soluções para vítimas. Agir de forma articulada pode evitar sofrimento daquelas que vivem em situação de risco dentro do próprio lar. Foi com esse objetivo que um grupo de mulheres criou o aplicativo “Mete a colher”, uma rede colaborativa em que vítimas podem compartilhar suas experiências.
O aplicativo foi desenvolvido durante a Startup Weekend Women. Foto: Flora Lins/Divulgação.
O projeto surgiu durante o evento de empreendedorismo feminino, Startup Weekend Women. Pela primeira vez participando do encontro, um grupo de nove mulheres se reuniram para criar a plataforma. “Faço parte de um grupo sobre relacionamentos abusivos e um membro do grupo que sofria pediu ajuda através de um áudio feito durante enquanto a agressão ocorria. O grupo se mobilizou de saber quem morava mais perto, para chamar a polícia e ir resgatá-la. Então imaginei que se houvesse um app que juntasse a parte da denúncia e o grupo de apoio, facilitaria tanto denúncias, como a mulher se sentir segura e emponderada para sair da situação”, conta a analista de informações, Emily Blyza, de 24 anos.
A equipe da plataforma conta ainda com designers, jornalistas, desenvolvedoras, analistas de marketing e psicóloga. Por enquanto o app ainda está na versão beta, para testes e receber retorno das usuárias quanto ao uso. “A maioria das mulheres que denunciam estão sós. A rede funciona para que se ela precisar, tenha apoio jurídico, psicológico, entre outros”, explica Blyza. A intenção é conectar principalmente quem está mais próxima da rede, através da geolocalização, para que a mulher se sinta segura.
“Essa questão de “meter a colher” é porque muitas mulheres têm medo, vergonha, ficam fragilizadas em denunciar ou falar que sofre algum tipo de violência doméstica. O app quer solucionar isso, criar uma rede de mulheres que precisam de ajuda e mulheres que estão dispostas a ajudar, explica a pesquisadora de comportamento do consumo, Renata Albertim, 28.

Como usar | Download
Após baixar o aplicativo “Mete a Colher”, é necessário fazer uma cadastro, mas a usuária pode decidir se vai utilizar de modo anônimo. Entre as opções estão “Preciso de ajuda” e “Quero ajudar”. Ao escolher uma das opções o app cruza os dados. A vítima pode escolher o tipo de ajuda que precisar e o app indica quem pode fornecer essa ajuda e aquela que está mais próxima para auxiliar. “Se for um caso de agressão em tempo real, quem está perto receberá uma alerta e poderá pedir ajuda da polícia”, comenta Emily Blyza. Ainda existe um grupo fechado para as mulheres que conversem de forma privada e troquem experiências.
Mariana Fabrício

terça-feira, 1 de março de 2016

Março das Moças - As PEdaleiras


MARÇO DAS MOÇAS

Março é o mês de lembrar a luta das mulheres. É mês de luta, de reivindicação, de continuar em busca de uma cidade segura para mulheres e meninas. É mês de visibilizar nossas pautas, como MULHERES acima de tudo, mas também como mulheres CICLISTAS, visto que estamos expostas a várias opressões distintas, porém, entrelaçadas.

Estamos sempre em luta, e, pensando em ajudar na construção de um 08 de março com seu real significado, o coletivo As PEdaleiras convida todas a participarem das ações propostas para ajudar no empoderamento feminino através do uso da bicicleta.

Vamos colocar nossas pautas feministas e ciclofeministas na rua.

Machismo não passará!

Carrocracia tem cura!

Há Braços.

Obs. 1: para entrar no nosso grupo de ciclofeministas de Pernambuco e participar das decisões, encontros, debates etc, clique AQUI.

As PEdaleiras estão abertas a todas as mulheres (ciclistas ou não) que desejem fazer parte de nosso coletivo.

Obs. 2: eventos abertos e gratuitos

Obs. 3: IMPORTANTE!!! Os eventos são direcionados APENAS A MULHERES. Homens podem assistir, mas não terão espaço para fala, nem participarão dos pedais fazendo parte da massa.

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Programação:

1. DIA 04 (sexta-feira)

- RODA DE DIÁLOGOS: Ações do Coletivo As PEdaleiras: objetivos, propostas e troca de experiências
Local: Reciclo Bikes - Rua Conselheiro Portela, 417 - Espinheiro (especificamente no "Mafalda na Estrada", pastelaria foodtruck que fica localizada no estacionamento em frente à Reciclo)
Hora: 19h

2. DIA 08 (terça-feira)

- PEDALEIRAS NO ATO UNIFICADO DO 08 DE MARÇO - "É pela vida das Mulheres!"
Local: Parque 13 de maio
Hora: 15h

3. DIA 13 (domingo)


4. DIA 19 (sábado)

- OFICINA MINAS NA RODA
Local: Reciclo Bikes - Rua Conselheiro Portela, 417 - Espinheiro
Horário: 15h (duas horas de duração)

- PEDAL DAS MOÇAS
Concentração: Reciclo Bikes
Horário: 17h

5. DIA 25 (sexta)

- BONDE DAS MOÇAS PARA A MASSA CRÍTICA
Local da concentração: Parque 13 de maio
Horário: 18h (saída às 18h30 em direção à Praça do Derby)

Vamos conosco? :)))