sexta-feira, 21 de outubro de 2016

FNEBici - Vaquinha para as crianças irem comigo!

Mamãe Paty foi selecionada para fazer parte de uma mesa que pautará justamente as questões relacionada à Bicicleta e Maternidade/Paternidade no II Fórum Nordestino da Bicicleta, que este ano acontecerá em Fortaleza-CE, dos dias 11 a 14 de novembro de 2016. Mais informações sobre o FNEBici aqui, ó: http://fnebici.com.br/ 




E Mamãe Paty quer MUITO que as crianças a acompanhem, mas tá pesado o preço de passagem, pois, como todas as pessoas sabem, ela é mãe-solo de duas crianças e não tem ajuda financeira (nem estrutural) de ninguém.

Então, veio a ideia: dia 05 de outubro foi aniversário de Yago e dia 19 de outubro foi aniversário de Nina, e eles não ganharam presente, porque Mamãe Paty não estava podendo dar. Daí veio a ideia de pedir essa contribuição de aniversário deles, por motivos de:

1. Ambos querem MUITO (mas muito MESMO!) ir com Mamãe Paty, adoramos viajar juntos, e é uma chance de conhecermos Fortaleza;
2. Mamãe Paty está sem grana para contratar alguém que cuide deles enquanto ela estiver no evento (o qual ela não terá custo, pois o FNEBici custeará a viagem dos palestrantes);

3. Mamãe Paty não tem com quem deixá-los, caso eles não consigam ir.
Bora dar essa forcinha? Levaremos a bike Oyá, que foi adquirida com a ajuda de outra Vakinha feita, para nos locomovermos lá, arrasando na capital cearense!

Agradecemos em nome de toda família!

Beijos,
Paty Sampaio, Yago e Nina

sexta-feira, 27 de maio de 2016

A dor de ser mulher



No dia 25 todas as feministas adoeceram. Morreram um pouco por dentro. Foi divulgado na imprensa um estupro coletivo contra uma menina de 16 anos, por 33 homens, dentre eles, um que ela se relacionava há três anos. Sim, TRINTA E TRÊS HOMENS violentando uma criança chamada Helena. Não satisfeitos em estuprar, foram mais longe: filmaram o crime e divulgaram no Twitter. E as imagens dessa atrocidade foram compartilhadas por muitos outros homens que acharam "engraçado".

Nos comentários das matérias, o de sempre: culpabilização da vítima. Sempre a mesma ladainha. Sempre pessoas tentando justificar o crime com a colocação inadequeada de que eles "são psicopatas, monstros, doentes".

Não são.

São homens. Como seu pai, como seu irmão, como seu primo, como seu tio. HOMENS. 

Homens que recebem da cultura um respaldo enorme para fazerem o que fizeram. Homens que são ensinados desde cedo a serem predadores sexuais de mulheres, que são ensinados desde muito cedo que o corpo das mulheres é um bem público, que pertence a eles, e, por isso, eles podem fazer com esse corpo-objeto o que bem entendem.

Homens NORMAIS. Que subjugam e acham que humilhar mulheres é papel deles na sociedade. Homens normais que odeiam mulheres, como muitos que existem.

Quando nós falamos em educação feminista das crianças, nós batemos nessa tecla: ensinem seus meninos a não serem predadores, não ensinem suas meninas a se protegerem dos homens. Parem, de uma vez por todas, de enfatizar estereótipos de gênero na sua educação, pois isso é um grande fator causal dessa cultura do estupro em que nós, mulheres, precisamos aprender a sobreviver. Parem de falar "prenda sua cabrita, que meu bode está solto!". Parem de falar "beija ela, paquera ela" pros seus meninos. Parem de falar "e tu por acaso é uma menina, é?" quando seu filho chorar. Apenas: PAREM.

Não queremos textão de feministos. Não queremos apoio da escrita pra fora. Não precisamos de homens falando o que não fazem.

Pare e pense: o que você tem realmente feito para exterminar essa cultura de violência contra as mulheres nos seus grupos de amigos homens? Sério mesmo. Você já parou de explorar sua mãe, como se ela fosse uma escrava doméstica sua? Você coloca sua indignação quando seus amigos homens compartilham ou falam piadas misóginas? Pense bem. Tem muito o que fazer, sem precisar ser da boca pra fora apenas. É feio, vocês que fazem isso são bem queimados junto às mulheres que sabem quem vocês realmente são, então, por favor, parem de pedir biscoito às mulheres fingindo nos apoiar. AJAM. Não defenda seu amigo abusador de mulheres em trasporte público. Foda com ele, na verdade. Aliás, se você é tão apoiador das causas das mulheres, como é que você consegue ser amigo de um agressor de mulheres? Pense nisso.

E faça a real diferença nessa luta. Porque nós temos crianças, meninas, que estão expostas a tudo isso, desde já, e não importa a idade, sabem? A maioria das histórias de terror que nós, mulheres, vivenciamos começa na infância. Começamos a temer vocês muito, mas muito cedo. Vocês não fazem ideia do que é ter medo de um semelhante. Não fazem ideia do pavor que é imaginar ser estuprada, e mudar A VIDA para prevenção disso. Viver em função desse medo.

Todo meu apoio, minha dor compartilhada, meu abraço, minhas lágrimas, a essa menina Helena, que teve sua vida absolutamente estraçalhada a partir da violência à qual foi - e continua sendo, através da exposição e culpabilização - submetida.

Estamos todas de luto.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Ressignificando as Mães

Hoje eu me deparei com esse texto fantástico a respeito do histórico relacionado ao Dia das Mães, sobre significados simbólicos e culturais da maternidade que encobrem e mascaram a verdadeira realidade que nós, mães, vivemos. Vivemos em meio a uma realidade mascarada que tenta nos manter dentro de um padrão absolutamente opressor do que é SER MULHER e do que é SER MÃE, e que nos julga, condena e crucifica ao sairmos desse "padrão ideal de maternidade" que não foi escolhido por muitas de nós. Vale muito a leitura, apesar de ser textão hohoho

;)

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Por Bruna Barlach - Revista Vírus

(Ilustrações originais: Didi Helene e Iconoclasistas)

Logo após se esgotarem os ovos de páscoa, as lojas correm para tirar os coelhos e mudar a decoração das vitrines. Outdoors nos chamam para aproveitar a promoção imperdível no shopping center mais próximo. Em nossa caixa de e-mails há uma chuva de spam com "promoções imperdíveis" para celebrar este dia tão especial. Fotos e mais fotos de mães (brancas, magras, cisgêneras e heterossexuais) com bebês, normalmente vestidas de branco (símbolo da pureza) e com flores. Não há dúvidas: o dia das mães está aí e é hora de celebrar o amor maternal, de preferência com presentes.

Origens e paradoxos

Essa imagem que podemos ver hoje do dia das mães, no entanto, está muito longe da ideia que originou a data nos EUA. Por incrível que pareça, o dia das mães tem sua origem das mulheres trabalhadoras. Objetivando diminuir a mortalidade das crianças das famílias de trabalhadores, a ativista Ann Marie Reeves Jarvis criou em 1858 o Mothers Days Works Clubs (algo como Clube de trabalho do dia das mães). Em 1865 ela organizou o Mother's Friendship Days (dias de amizade para as mães), com o objetivo de ajudar os feridos na Guerra da Secessão. Não que Ann Marie Reeves fosse uma revolucionária aos moldes que hoje em dia entendemos a palavra. De fato, ela era uma mulher devota à Igreja Metodista, foi mãe de 12 filhos (ainda que apenas 4 tenham sobrevivido até a idade adulta) e tudo que organizou foi através dos braços de sua Igreja. No entanto, para sua época, a "mãe do dia das mães", como ficou conhecida, conseguiu promover ações revolucionárias, sendo uma das responsáveis pela reconciliação dos dois lados que lutavam na guerra.

Não foi Ann Marie Reeves que criou o dia das mães, de fato, este dia foi conquistado pela sua filha numa grande luta para homenagear sua mãe e a luta que ela tinha travado durante a vida. Ann Marie Jarvis conseguiu, após anos de luta, que o dia fosse reconhecido pela lei no ano de 1914. Ao contrário do que podemos imaginar vendo o dia das mães hoje, a própria idealizadora do dia, após ver o capitalismo se apropriando do feriado para gerar mais lucros, se afastou de sua criação e passou o resto dos seus dias lutando para que este feriado deixasse de existir. Em suas palavras "um cartão impresso não significa nada mais que você é muito preguiçoso para escrever para a mulher que fez mais por você que qualquer outra pessoa no mundo. E tortas! Você leva uma caixa para a Mãe, e então come tudo você mesmo. Um belo sentimento!"

Já no Brasil a data logo de início, quando foi instituída pelo então presidente Getúlio Vargas, em 1932, esta esteve ligada ao movimento de mulheres liberais, nada revolucionário, que viam nesta data, assim como o presidente, uma forma de legitimar a "função social da mulher", ou seja, ser mãe. Feliz ficou o comércio que já há muitos anos tem o dia das mães como a data mais lucrativa para vendas do ano, perdendo somente para o Natal.
Imposição? Escolha? Função Social da Mulher* ?

Esta ideia de que a maternidade é a função social da mulher tem sido utilizada pelo patriarcado para subjugar as mulheres e colocá-las numa condição de subalternidade há centenas de anos. É claro que para manter o status e a importância, numa sociedade polissêmica, ou seja, carregada de sentidos, como a nossa, não basta impor a maternidade às mulheres, é preciso cobrir a maternidade de pompa e status. Quem nunca ouviu que a mulher só é completa quando se torna mãe? Que ser mãe é a melhor coisa do mundo? Que uma mulher que não tem filhos não cumpriu sua função no mundo?

A capacidade de conceber a vida é sim algo fundamental para que a humanidade continue a existir, quanto a isso não há dúvidas. Não só seres humanos, todos os seres vivos procriam. Mas só os seres humanos se tornam mães. Essa pequena palavra, carregada de significados sociais, históricos e políticos é ouvida e dita pela maioria de nós sem maiores reflexões. Mas o que torna uma pessoa mãe? É a escolha? É a obrigação? É o destino por se ter um aparelho reprodutor? Por que essa imposição recai especificamente sobre as mulheres, se é preciso para a concepção óvulo e espermatozoide? Por que, após a concepção, as obrigações recaem sobre as mulheres. As obrigações e a culpabilização, tanto pela escolha da maternidade como pela escolha em não ser mãe.

Escolha ter filhos ou escolha não ter filhos a culpa recairá sobre as mulheres. Ainda que ser mãe seja considerada a função social das mulheres ela é para as mulheres heterossexuais, casadas, jovens e com o mínimo de estabilidade financeira. E, é claro, desde que esta se demonstre uma mãe-modelo. Porque, a partir do momento que você aceita o cumprimento desta função, você estará eternamente sob o julgo da sociedade. Tem que ser uma boa mãe. E o que é uma boa mãe? É a mãe que encara a maternidade com resignação. Enfrenta o seu dever sem gritar. É aquela que nunca perde a paciência com os filhos. Ah, e boa mãe é aquela que abdica da vida pra ser mãe. Mulher, não, agora ela é mãe. Mãe não tem anseios pessoais, mãe não tem desejos sexuais, mãe não existe como ser. Mãe é mãe e pronto, não? Tente uma mãe sair destes moldes e vão chover todos os tipos de insultos e intromissões em sua vida, afinal, essa daí não presta pra ser mãe.

Mães são realmente pessoas fundamentais e por isso, ser mãe tem que ser uma escolha e uma escolha dada a todas as pessoas. Inclusive para as mulheres trans. Inclusive para a mulher negra, pra mulher pobre, para aquela mulher que tem que ouvir que só tem filhos pra receber benefício do governo. E ter filhos também tem que ser um direito garantido aos homens trans, assim como o direito de serem reconhecidos como homens mesmo mantendo seu útero e ovários. Ser mãe é também direito das mulheres lésbicas, sejam solteiras ou casadas com outra mulher. Ser mãe também é direito das mulheres não monogâmicas, assim como é direito delas criarem seus filhos dentro de quaisquer arranjos parentais que julguem corretos. Aliás, julgar o que é correto para a maternidade deve ser direito inalienável de todas as pessoas que escolhem a maternidade. E escolher não ser mãe é tão importante quanto. E nenhum dessas escolhas cabe a ninguém além da mulher ou pessoa que é dona de seu próprio corpo.

Empoderar as mães e empoderar as mulheres que não querem ser mães é uma luta fundamental do feminismo e deve ser uma luta para todas as pessoas que buscam uma sociedade mais justa e igualitária. Não existe humanidade sem reprodução da espécie, mas não existe liberdade sem a libertação das mulheres de suas correntes sociais. Para todos os seres e não-seres possíveis. Maternidade é hoje a palavra de ordem, seja pela afirmação, pela negação, e especialmente, pela sua ressignificação.


*é preciso destacar que a autora reconhece e defende o direito dos homens trans gerarem filhos ou não gerarem filhos, ou seja, todos os direitos reprodutivos devem ser garantidos tanto para homens quanto para mulheres trans, assim como direito à registro de paternidade/maternidade.

terça-feira, 10 de maio de 2016

Uma brasileira desbravando as Américas de bicicleta

Juli Hirata. Biológa apaixonada por bicicleta. Pois foi. Ela foi ~simbora~ e iniciou um projeto lindamente corajoso, de percorrer as duas Américas através de seus extremos, do extremo norte da América do Norte (Alasca) ao extremo sul da América do Sul (Ushuaia - Argentina). Como sabemos que a quantidade de mulheres que pedalam mundo a fora é bem menor do que a de homens, é mais do que digno e necessário divulgar aqui o feito desta mulher inspiradora.



Ela procura por uma pergunta para seus estudos científicos na área em que escolheu trabalhar. Ela pode até nem encontrar essa pergunta, mas é certeza absoluta de que ela vai se dar (e nos dar também) muitas respostas após esses anos de cicloviagem solitária e empoderadora que iniciou há pouco.

Sorte, Juli! Estaremos aqui acompanhando e nos inspirando em você! <3

Acompanhe a cicloviagem de Juli AQUI.

Ela também tem InstagramFacebook, Twitter, YouTube e Pinterest. Dá para acompanhar tudo direitinho, e ficar sonhando com o dia em farei a mesma coisa quando as crianças estiverem maiores, sabem? *.*

Juli no Alaska

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Sobre transtornos neuropáticos

Já faz um tempo que sinto sempre necessidade de falar sobre este assunto. É um tabu ainda conversar sobre depressão, transtorno de ansiedade, bipolaridade, borderline, suicídio. Mas precisamos falar sobre isso, visto que esses transtornos acometem muitas mulheres, em função, também, das diversas violências de gênero às quais somos submetidas desde crianças. Há, normalmente, uma somatização de fatores que desencadeiam o desenvolvimento destes quadros. Hoje vou falar de uma forma que tente aproximar outras pessoas de aspectos que são gerais e comuns na maioria das pessoas que possuem alguma peculiaridade emocional diferente do que se considera como padrão, mas baseada em minhas próprias sensações e sentimentos.

Eu sou portadora de transtorno de ansiedade e depressão. Também possuo traços Borderline. E, digo, é muito difícil viver com isso. Muito. Nossa capacidade de autoboicote e autossabotagem é IMENSA. Por mais que a gente tente trabalhar nossa mente para afastar os pensamentos criados pela crise, quem não traz consigo esses transtornos não faz a menor ideia do quanto é difícil lutar contra a força da nossa própria mente. É um exercício exaustivo tentar tirar a penumbra que cerceia nossos pensamentos, que os distorcem, que nos fazem acreditar que somos pessoas pouco amadas, incompetentes em tudo, que não merecemos o amor e o carinho das pessoas. Em crise, acreditamos nisso com uma certeza tão grande, que fica difícil, inclusive, da gente mesma se amar. Há momentos em que nós mesmas não nos suportamos, e o diabinho dos transtornos fica buzinando o tempo inteiro no nosso ouvido "se você mesma não gosta de você, por acaso vai achar que alguém possa gostar?!?!"

Esse diabinho cresce. Ele é alimentado por nós mesmas, por nossos pensamentos e por quaisquer coisas que dão errado na nossa vida. Ele é alimentado, também, pelas palavras e atitudes das pessoas e a nossa própria - e, algumas vezes, distorcida - interpretação dessas palavras e atitudes. A culpa é enorme. Culpa por não nos sentirmos amadas (apesar das demonstrações de amor que recebemos), culpa por essas coisas que dão errado, culpa por termos o(s) transtorno(s) (como se tivéssemos culpa disso!), culpa por acharmos que afastamos as pessoas, culpa por TUDO. E a culpa vai sempre aumentando essa porrada na nossa autoestima. E vira um círculo vicioso de autodestruição.



E esse diabinho é químico. Ele é produzido por nossas próprias enzimas e também cresce pela falta de produção de outras. Por isso, sim, é doença, precisa ser vista e tratada como tal. Para algumas pessoas, medicações são suficientes. Para outras, há a necessidade de outras terapêuticas alternativas. A bicicleta, por exemplo, tem sido uma grande aliada na minha própria luta pessoal contra a influência dos transtornos. Recomendo DEMAIS. Pedalar é VIDA, mas isso é bem individual, e cada pessoa vai buscando e encontrando suas próprias técnicas de reação. Sendo bem importante frisar que a terapia convencional (com profissionais da área de psicologia) é boa para todas as pessoas, inclusive as que não têm nenhum transtorno diagnosticado. Porque, infelizmente, este nosso mundo adoece mesmo as pessoas não têm predisposições (orgânica e genética) que facilitam uma alteração de nosso equilíbrio emocional. Autoconhecimento é bom para todo mundo. Mas, para quem tem transtornos de comportamento, autoconhecimento é fundamental.

Para completar, muitas de nós, além de sofrer nossos próprios sofrimentos relacionados à vida pessoal, sofremos o sofrimento do mundo, queremos ajudar as pessoas a não sofrerem tanto, queremos estar no lugar dessas pessoas para que elas se livrem daquilo que as incomoda, queremos dividir esses sofrimentos na intenção de diminuir o sofrimento dessas pessoas. Porque de sofrimento a gente entende, sabe? E não queríamos que outras pessoas passassem pelo que a gente passa. Nem que para isso a gente assuma uma dor que nem é nossa, e passe a sofrer mais com aquilo também. E sim, isso é involuntário. Para não nos envolvermos, teríamos que deixar de nos envolver com as pessoas, nos isolar do mundo, o que seria muito pior para nossa saúde emocional.

E, para completar mais ainda, algumas pessoas sofrem influência climática externa para piorar sua situação emocional. Isso é tão verdade que os índices de suicídio em países frios é bastante alto, mesmo que sejam países onde a qualidade de vida é excelente, apesar dessa informação não ser consenso científico. Porém, SOL é, literalmente, VIDA para muitas de nós. Dias nublados e tempestuosos ajudam muitas mentes nubladas e tempestuosas a manterem mais fortes esse estado de escuridão, insegurança, tristeza, angústia e dor na alma. Se você vir uma pessoa depressiva na rua em um dia cinza, pode ter certeza de que ela fez das tripas coração para estar ali.

Em crise, tudo fica confuso, conturbado, difícil. Todos os problemas triplicam de tamanho e ficam insuportáveis de carregar. Decisões simples tornam-se um sofrimento sem fim. Coração acelera, doem as costas, vontade de chorar compulsivamente, sem parar. A cabeça começa a pesar uma tonelada e esse peso é realmente sentido, fica difícil até tirar a cabeça do travesseiro, sabem? Uma sensação terrível de que não há solução mais para nada - e daí iniciam-se os pensamentos suicidas - que, eu, particularmente, consigo controlar em função da existência de meus filhos <3. Então, sinal de alerta! Porque sim, o risco de morte existe e é alto. Mas praticamente TODAS as pessoas neuroatípicas, normalmente, sinalizam esse desespero e essa vontade de morrer. Fiquem sempre atentos/as aos sinais e nunca duvidem de que essa intenção pode se consolidar um dia. Pode sim, infelizmente. Mas, se houver interferência em tempo hábil, esse risco cai em 80%. Não esperem acontecer. Ajam. Suicídio tem prevenção e depende MUITO da influência de outras pessoas no momento certo.

Portanto, o nosso cérebro não pára. É muita atividade cerebral. Daí vem a insônia, por exemplo, que vai enchendo e agravando essa bola de neve de confusão mental e excesso de atividade cerebral negativa. Isso cansa MUITO, inclusive fisicamente. Muitas vezes não conseguimos reagir à força dessa atividade. Não conseguimos, inclusive, levantar da cama, de tão cansadas que estamos. E nos sentimos mal imaginando o julgamento das pessoas por essa (falta de?) reação, achamos logo que vão falar que é "fraqueza", e, na nossa cultura, não podemos ser "fracas", pois ~o mundo é dos fortes~. O corpo pede socorro e pára. Mas a mente não. E haja porrada em cima de porrada, dadas por nós mesmas em um cérebro que já está convalescente. A carga é enorme. A sensação de solidão é maior ainda, porque, na maioria das vezes, não queremos expor nossas "fraquezas" (cof cof), temos muitos medos, e um deles é o de que as pessoas se afastem de nós e nos julguem como "loucas" (olá, patriarcado!) e, por isso, evitamos nos expor. Pedir ajuda, também, significa "incomodar" para muitas de nós. E detestamos incomodar, porque nos sentimos, muitas vezes, como uma espécie de "estorvo" na vida das pessoas. Então, por esses motivos, é comum que nossa reação seja a do isolamento mesmo.



Portanto, se vocês conhecem uma pessoa que seja portadora de algum transtorno neuroatípico (especialmente mulher), tenham paciência. Tentem entender que o cérebro dessa pessoa, quando em crise, é o pior inimigo dela, e ajudem essa pessoa, especialmente tendo cuidado com a forma como você fala e com o que você fala para ela. Ajude-nos a diminuir um pouco o fardo que é carregar essa luta interna de vencer a nós mesmas dentro de um contexto de doença x saúde emocional.

Como eu já disse antes, nós, pessoas neuroatípicas, somos nossas piores inimigas. Não alimentem essa face inimiga, não ajudem a fortalecê-la, e nos ajudem com o nosso propósito de melhorar nossa autoestima, que é o principal elemento que nos vai dar força para lutar contra o nosso 'eu' sombrio. E - principalmente - não se afastem de nós. No fim das contas, nós somos pessoas legais. :))) Eu sempre prefiro dizer que somos pessoas que, apenas, possuem algumas peculiaridades especiais nos tratos com as emoções, que precisam deixar de ser tabu, para que obtenhamos mais compreensão e apoio por parte do mundo que não faz ideia do que é SER e SENTIR assim, de forma tão intensa. ;-)

Nossa saúde agradece. <3

PS: queres um exemplo lindo de uma forma muito legal de falar conosco e da linguagem que nos faz bem? Clica AQUI e leia esse texto de amor. É muito disso que precisamos. Acolhimento. Amor. Cuidado. Abraço. Colo. Porque não é fácil sermos nós.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Mais uma Feminista Cansada falando sobre SORORIDADE

Cansada. Esse é o termo.




Cansada de um Feminismo de fachada por parte de muitas feministas que não conseguem sair da sua zona de conforto e não conseguem/querem apoiar outras mulheres que estejam em uma condição de vulnerabilidade e opressão maior do que a delas próprias. Nem se esforçam para enxergar isso, inclusive.

Cansada de um Feminismo de Facebook, que marca azamiga em postagens lindas, mas que, na prática, ainda está a léguas de QUERER ajudar verdadeiramente mulheres que precisam de apoio.

Cansada de ver um Feminismo sem filhos, que esquece o fato de que a grande maioria das mulheres que são mães são seres extremamente solitários e sobrecarregados de funções, em especial as mães-solo feministas, que precisam arcar sozinhas (quase nunca por uma escolha própria) e solitariamente com toda a função da tripla jornada e da criação de crianças dentro de uma ideologia feminista de educação doméstica, que será o verdadeiro vetor de uma mudança cultural definitiva, que fará com que essa mudança que o Feminismo almeja REALMENTE aconteça, através da formação doméstica desses novos seres humanos.


Cansada de um Feminismo branco, que esquece que a maioria das mães solteiras nesse país são mulheres negras, duplamente solitárias, pois, além das funções solitárias de mãe-solo descritas acima, ainda carregam nas costas toda a solidão que acompanha a vida das mulheres negras e que faz com que estas sejam maioria dentro do grupo social das mães-solteiras que carregam o mundo sozinhas nas suas costas.

Cansada de um Feminismo de elite, que esquece que estas Mulheres-Negras-Mães-Solo são, na sua grande maioria, mulheres pobres, que precisam fazer das tripas coração para, literalmente, alimentar suas crianças e a si própria dentro de um contexto que só privilegia quem tem dinheiro.

Cansada de um Feminismo Pró-Legalização do Aborto, mas que não consegue ser um Feminismo Pró-Mãe, ou seja, cansada de um Feminismo que não inclui a maioria das mulheres do Brasil e que, quando tenta fazê-lo, só o faz no discurso, mas não se esforça para melhorar a situação de vida dessas mulheres e nem, muito menos, pensa na importante contribuição que elas poderiam ajudar a dar na criação dessas novas pessoinhas. Porque criança aprende mais com a visualização dos exemplos do que com ensinamentos teóricos. E, se essas crianças não vêem mulheres que se apoiam, acima de tudo, junto das suas mães, como é que as pessoas querem que essas crianças passem acreditar na ideologia feminista, enquanto a própria mãe delas está sozinha, comendo o pão que o diabo amassou, deseducando todos os dias essas crianças de toda a carga cultural nociva que elas trazem para casa, sem apoio de ninguém, NEM daquelas pessoas que "dizem" apoiar todas as mulheres?

Cansada de ouvir uma feminista dizer que uma companheira de militância é "doida". Como se não bastasse o patriarcado falar isso para nós a vida toda, lá nos vêm mulheres - pasmem! - que dizem defender mulheres falar isso de uma outra companheira pelas costas. Em termos de quem sofre com transtornos neuroatípicos, afirmo que, além de misoginia, isso também tem outro nome: capacitismo. E eu espero sempre que mulheres não reproduzam esse comportamento patriarcal e normativo de se referir a mulheres como "histéricas", "loucas" e "descompensadas", especialmente sabendo que uma parte ENORME de nós desenvolveu transtornos emocionais em função das inúmeras violências às quais fomos submetidas durante toda uma existência. Essas vivências deixam marcas, sabem? Não minimizem essas dores. Não sejam capacitistas.


Cansada de jogo de PODER dentro de movimentos de mulheres. Mais uma reprodução fiel do que o patriarcado faz e que está sendo imitado por mulheres que lutam pela causa das mulheres.


***

É muito difícil ser Feminista e acreditar na ideologia feminista como se essa ideologia fosse uma religião, mas, ao mesmo tempo, perceber que só brancas e sem filhos têm direito ao apoio de brancas e sem filhos, ou seja, as "iguais em grupo" têm sororidade para com as suas. Sororidade seletiva, como bem descreveu Stephanie Ribeiro. Muitas vezes, acho que o termo sororidade deveria ser excluído do dicionário e da língua de muitas mulheres que são feministas, mas que não fazem o menor esforço para serem empáticas e enxergarem a sua própria situação de conforto. Não se percebe nem solidariedade direito, quanto mais sororidade, que é uma expressão bem mais profunda. Sororidade é a utopia feminista. Usem essa palavra com moderação. Apliquem primeiro e falem depois, fica a dica.

Pois...

...Não deveria nos contemplar um ativismo raso, sabem?

...Não deveria nos contemplar um ativismo que não pode fazer o mínimo de sacrifício por outra pessoa, sabem?

...Não deveria nos contemplar apenas o discurso. Esquerdomacho é mestre em discurso, sabem?

...Não deveria nos contemplar a frase "é que eu não tenho jeito com crianças", que é a principal arma do patriarcado para manter os homens devidamente e confortavelmente afastados de suas responsabilidades na criação destas pessoas (mesmo que não sejam pais) dentro da sociedade. Boa parte das mulheres também não tinha jeito com crianças antes de terem uma para criar, e nem por isso perderam um pé ou uma mão ao terem que lidar, diariamente, com estes seres maravilhosos e que nos ensinam todos os dias. Aprendam a aprender com as crianças. Elas têm muito mais a ensinar a vocês do que vocês pensam. Vamos começar a pensar numa espécie de "criação coletiva" dessas pessoinhas?



...Não deveria nos contemplar sermos mães apoiada apenas por MÃES, cada uma mais sobrecarregada do que a outra, mas que procuram ainda fazer um esforço acima do humanamente possível para que outra mãe se estrepe um pouco menos. Isso não tem o menor sentido, porque parte do princípio de NÃO SER JUSTO. Questão até de disponibilidade de tempo, sabem? Falando assim, do básico mesmo.

...Não deveria nos contemplar um ativismo sem esforço de todas as pessoas, um ativismo que prefere ficar "tretando" com macho no Facebook e tomando cachaça à noite na farra cazamiga - tudo feminista branca sem filhos -  enquanto uma MULHER está sozinha em casa ouvindo gritos de crianças que berram "você é uma mãe muito chata! a culpa é sua!", numa sexta-feira à noite, sem dinheiro nem para o leite no final do mês, depois de uma semana de trabalho INTENSO, EXAUSTIVO e, muitas vezes, NÃO REMUNERADO, sem ninguém NEM para desabafar sua vontade de "largar tudo".

Porque mães não podem nem cogitar a ideia de FALAR em "largar tudo" (às vezes dito no auge do desespero, mas que fica apenas no plano do desabafo mesmo), já que, se elas fizerem isso, ainda têm possibilidade de serem julgadas e apontadas por pessoas da sociedade padrão e do próprio meio feminista.

Possibilidade, inclusive, de serem denunciadas ao Conselho Tutelar, por ~acharem~ que elas são mães negligentes ou pouco amorosas, porque não criam seus filhos da mesma forma que todo mundo está acostumado a ver e que não tiveram, por exemplo, tempo de lavar a farda da escola ~na mão~ para tirar manchas que não saem. Aliás, elas muitas vezes optam, ao invés disso, por ficarem abraçadas aos filhos vendo filme, conversando e comendo pipoca quando chegam do trabalho, já que têm pouco tempo no dia juntos, sabem?

Ou, mesmo, julgadas porque não prenderam o cabelo crespo/cacheado da filha negra antes dela ir para a escola. Afinal, cabelo crespo solto ao vento, sem estar devidamente "dominado" é cabelo "bagunçado", e cabelo "bagunçado", para algumas pessoas "padrão" (racistas mesmo), significa que essa mãe está sendo negligente com a sua filha.

E essas mães não têm com quem desabafar, pessoalmente, sobre essas coisas que incomodam a todas nós, feministas. Porque elas estão sozinhas. Porque as companheiras de movimento (que poderiam estar dando este ombro amigo) estão na cachaça sagrada da sexta-feira e do sábado à noite. E - entendam - isso não precisaria ser "obrigação semanal". Na verdade, isso não precisaria ser nem obrigação. Deveria ser feito por AMOR, por amor ÀS MULHERES. Vir de dentro. Sentir prazer ao estar junto de outra mulher que precisa de alguém junto. Sem cobranças. Afinal, amor de irmã não se cobra, não é verdade?

Eu tenho um sonho. Sonho com o dia que o Feminismo deixe de ser apenas um discurso bonito na boca de muitas feministas e de 'homens verdadeiramente apoiadores da causa' (alguém tem provas de que eles existem?), e que a Sororidade deixe de ser uma utopia.


***
PS: Tenho poucos nomes que me fazem acreditar que isto pode ser real para todas, mas tenho sim esses precedentes, graças às deusas. Conto nos dedos de uma mão. Mas tenho. E dedico este texto a uma dessas pessoas, que, apesar de ser uma feminista branca e sem filhos, consegue - sim! - ser feminista na prática e não sente necessidade de sair fazendo discurso por aí de suas ações de sororidade (o que eu acho que ela tem todo o direito de fazer, e que, se ela um dia decidir por fazer, terá todo o meu apoio e divulgação, pois servirá ao movimento, já que serve de exemplo às outras, sabem?). Ela está conseguindo me mostrar que amar e apoiar mulheres em todas as suas dores, alegrias e prazeres é sim, possível, em um momento em que eu estava quase descrente de tudo, momento em que o que me segurava na crença em um mundo melhor para as mulheres eram apenas as minhas próprias ações feministas solitárias a anônimas de apoio a mulheres que precisam do meu apoio.

Obrigada, Flor. <3

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Respeita as Mina! #EssaÉaNossaHistória

Há poucos dias tive acesso a este vídeo maravilhoso feito em parceria com a Nina Tangerina Blog + Bitelli Bikes de Fortaleza. Nina faz parte do grupo das Ciclanas.

Os largos passos que o movimento Ciclofeminista tem dado são encantadores e motivadores, porque estão abrangendo não apenas pautas cicloativistas e feministas, mas tudo isso junto e separadamente também, pautando quaisquer outras demandas sociais, como direito à cidade, urbanismo, racismo, maternidade, tudo o que estiver incluído em nossas vidas pessoais.

Somos mulheres e somos muitas: somos ciclistas, somos mães, somos Anas, Marias, Valérias, Kalinas, Patrícias, Rebecas, Larissas, Ninas... Cada história interessa.

Ativismo é uma coisa muito legal, as demandas vão surgindo de forma espontânea nas pessoas em diversos lugares do mundo e, quando paramos para ver, tem mais um monte de gente sentindo as mesmas angústias que nós, tudo ao mesmo tempo, sem comunicação prévia. E aí nos comunicamos, nos adicionamos em nossos círculos, e vamos ficando cada vez mais fortes em nossas demandas.

Todo ativismo tem um elo de comunicação com outro. Não enxergar isso, debater insistentemente contra e não adquirir empatia a um movimento irmão é se comportar como se comportam nossos opressores e ser um movimento portador de uma espécie de cegueira coletiva causada por privilégios que não são revistos por si mesmo/a.

Vamos em frente. Tem um mundo todinho para ser mudado ainda. Vamos juntas!

Respeita as Mina! #EssaÉaNossaHistória


As PEdaleiras - Oficina de Mecânica de Bicicleta Para Mulheres

No início do mês o Diário de Pernambuco divulgou a nossa ação "Oficina das Minas", que fez parte da programação do Março das Moças, evento do Coletivo As PEdaleiras - Coletivo de Mulheres Ciclistas Pernambucanas.

Reparem que a PEdaleira que vos fala está sempre acompanhada da PEdaleirinha Nina Menina, que participou da Oficina das Minas e até foi monitora. :))))

Por isso: façam eventos em horários que possa incluir crianças. Podem ter certeza: isso sim, muda o mundo. Proporciona à mãe possibilidade de ir, e proporciona à criança o contato mais íntimo com um ativismo que vai sendo naturalmente incorporado com ela, e isso sim é um dos mais fortes e verdadeiros agentes das mudanças culturais pelas quais lutamos tanto hoje.



terça-feira, 12 de abril de 2016

Incluam as Mães. Incluam as crianças.

INCLUAM AS MÃES.
INCLUAM AS MÃES.
INCLUAM AS MÃES.

Incluindo crianças vocês incluem AS MÃES.

AS MÃES.

Portanto:

INCLUAM AS MÃES.
INCLUAM AS MÃES.
INCLUAM AS MÃES.




Vamos parar de pensar e agir como o patriarcado manda, deixando a MAIORIA DAS MULHERES fora das ruas e dos eventos, e mantendo-as apenas DENTRO DE CASA e da TRIPLA JORNADA, bora?!?!?

Enquanto os homens não assumem a parte que lhes cabe numa divisão justa de tarefas com relação à responsabilidade nos cuidados com as crianças, por que é que nós, MÃES, precisamos ficar eternamente prisioneiras por causa de um modelo de maternidade patriarcal em que tudo relacionado a crianças recai sobre as mulheres? Por que as pessoas continuam nos negando o mundo? Ou então, por que precisamos nos fantasiar de "mulheres sem filhos", nos utilizando dos serviços de OUTRAS MULHERES (também mães em sua maioria), para que possamos ter acesso ao mundo?

Todo mundo sabe que essa mudança de postura dos homens com relação a suas crianças vai demorar SÉCULOS para melhorar, porque mexe com uma zona de conforto ENORME deles. Talvez a maior dessas zonas de conforto. Afinal, eles estão muito acostumados a não abrirem mão de absolutamente NADA para fazerem TUDO. E vão continuar resistindo para que tudo continue como está. E sim, estamos trabalhando nisso também, nessa desconstrução cultural. Que, como já foi dito, demora. Muito. Nem sei se minha filha vai ver isso ser real um dia.

Mas, e o AGORA?

Mães são mulheres, são pessoas, e têm direito a uma vida social em que não seja apenas conversado sobre fraldas, brinquedos, escolas problemáticas e febre das crias. Mães querem e merecem mais que isso.


Pensem nas mães quando forem organizar atos e eventos. Não queremos só grupos de mães. Não queremos falar só sobre filhos. Gostamos de eventos, congressos, seminários. Gostamos de FESTAS, mas nem todas as festas. Eu, por exemplo, não suporto festas infantis, mas até vou nas mais simples, em que não me sinta atordoada como nas que acontecem em casas de festas megalomaníacas.

Não precisa muito para incluir crianças.
Precisa, apenas, de VONTADE de incluir as mães.
Porque, para mim, festa boa é aquela em que mães também se divertem e têm possibilidade de jogar conversa fora. Festa boa é também aquela que não é infantil, mas que ofereça qualquer possibilidade de uma mãe ir sem se estressar pelo fato de ser mãe.

O estresse rola por dois motivos fáceis de resolver: 1) horário; 2) qualquer infra (mínima) que seja compatível com a presença de uma criança. Ex.: uma bola, um livrinho, papéis impressos com desenhos pra colorir, um/a amigo/a que tenha mais jeito com crianças ficar um tempinho fazendo "contação de histórias" etc. Evento bom é aquele em que crianças também se divertem.

Porque não é só "coração de mãe" que tem que ser grande e caber todo mundo, o mundo todo precisa parar de nos fechar o seu coração também.

Desigual isso aê. Muito desigual.

E injusto pra caralho.

NÓS TAMBÉM QUEREMOS O MUNDO - 08 de março 2016
NÓS TAMBÉM QUEREMOS O MUNDO - OcuParque 2013
Oficina de Graffiti com Gabi Bruce - 2012
I FNEBici - 2015 - Recife




Não quer/não pode/não vai pensar nisso? Então, não reclame. Estamos ocupando um espaço que nos é de direito, carregando nossas crianças junto. Se o espaço não tem nem pensou numa mínima infra-estrutura para mães, sinto muito. Elas estarão lá.










Vamos ocupar esses espaços sim. E as crianças serão, apenas, crianças nesses espaços nada convidativos para elas. Quem reclamar ou achar ruim, eu convido solenemente a ir olhar a criança ou tomar um sorvete, ou mesmo a se retirar (por que só nós que precisamos sair?!?!) um tempo por um bem coletivo, e para que essa mãe possa participar de alguma coisa no mundo extra-maternidade.

Beijo no ombro.



ImPressões Feministas - Fevereiro 2016
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Postagem feita em homenagem ao evento feminista "Mulheres e Democracia", que acontecerá hoje em horário inadequado para mães sem suporte social, nem haverá estrutura para crianças, ao mesmo tempo em que o Bicicultura torna público que no evento haverá espaço para crianças, portanto, para MÃES. 

Quando um evento cicloativista mostra ser mais inclusivo para mulheres do que um evento feminista, está na hora de repensar esse feminismo pautado no modelo patriarcal, que exclui aquelas mulheres que têm filhos/as e não podem contar com nenhum apoio social.

FEMINISMO PARA QUEM?

domingo, 10 de abril de 2016

Bike Familiar para Urminine irem à Escola - Quem quer ajudar mamãe Paty?

Então, todo mundo sabe que a vida não tá fácil para ninguém. Estou fazendo muitas mudanças estruturais na vida de minha família, e isso começou com a troca do carro pela bicicleta como principal meio de transporte da casa. Só que eu estou precisando oferecer um pouco mais de segurança nesse translado diário para a escola... Mas as contas insistem em não deixar adquirir uma bike nova, uma que seja mais adequada para isto.

Então, uma cicloamigafeminista me deu a ideia: dia 18 de maio é teu aniversário, vamos fazer uma Vakinha de aniversário para adquirir essa nova bike!

Fiz.

Apoie a Vakinha clicando AQUI


Então, segue abaixo o texto da Vakinha:

"Daí, como sabem, minha família está usando a bicicleta como principal meio de transporte. Só que Olga, nossa bici, está sofrendo, bichinha. Levar as crianças está sendo uma função bem punk para quem já está velhinha e desgastada pelo uso/idade. Além disso, a cadeirinha frontal (que leva Nina) já está sendo usada com excesso de peso, visto que sua capacidade é apenas até 15 Kg (e Nina já tem mais que isso!). Obviamente, mamãe Paty pedala com bastante cuidado e ficando ligada sempre em qualquer indício de alteração na estrutura... Porém, o ideal mesmo seria uma bicicleta mais forte, uma que aguente melhor essa função.

Então, a ideia é comprar uma bicicleta cargueira, bem mais adequada para suportar a função de bicicleta famíliar. Pretendemos usar a grana adquirida para, além de comprar a nova bici zero Km (que será vermelha e já tem nome: Oyá!), equipá-la e deixá-la mais segura (muitas lanternas, buzininhas enfeitadas e plaquinhas aos montes), além de fabricar (com ajuda de um serralheiro/a e um/a estofador/a) uma cadeirinha fixa nos bagageiros que, além de deixá-la mais confortável para Urminine, também contará com itens de segurança que a original não possui (cinto de segurança, barras laterais etc). Aceitamos sugestões!

Caso haja gentileza em excesso (hohoho), a ideia é a de usar toda a grana que sobre também em Oyá, como, por exemplo, colocar um sonzinho apropriado para a gente ir para a escola ouvindo Justin Bieber, Beyoncé, Rush e Nação Zumbi, cantando e sendo feliz, ou mesmo um guarda-chuva para os dias molhados, ou flores para colar no quadro e enfeitá-la lindamente... Essas coisas que mamãe Paty adora e que provocam mais simpatia por parte dos motoristas (portanto, mais segurança para nós).

Queres ajudar a dar esse presente lindo para essa família linda, rebelde e ciclista? É só contribuir com o que puder. Você pode contribuir com o presente até o dia 17 de maio, e no dia 18 de maio Oyá já deverá estar conosco, cantando parabéns para Paty! E se tu estiveres apertado de grana, não tem problema, podes ajudar compartilhando. ;)))

Nós, a cidade (com um carro a menos) e o planeta (menos CO2) agradecemos!!! <3

:)))"

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segunda-feira, 28 de março de 2016

Com mais de duas mil integrantes, coletivo ciclofeminista Ciclanas completa um ano

(Matéria Original publicada no Vá de Bike - http://vadebike.org/2016/03/ciclanas-coletivo-feminista-mulheres-ciclistas-fortaleza/)

Confraternização das Ciclanas no final do ano passado. Foto: Ciclanas
Confraternização das Ciclanas no final do ano passado. Foto: Ciclanas
Quando março chega, e com ele, o Dia Internacional de Luta das Mulheres, surgem homenagens que geralmente incluem flores, cosméticos e outros itens que reforçam a ideia estereotipada de feminilidade. O que para uns pode ser cortesia, para outros (e principalmente, outras) não é percebido dessa forma. Foi uma situação como essa que motivou o surgimento das Ciclanas, coletivo ciclofeminista de Fortaleza que há um ano reúne mulheres que debatem o uso da bicicleta na capital cearense. Elas recusaram as flores e foram em busca de autonomia e voz.
“Um ciclista sugeriu num grupo no Facebook que no oito de março flores e cartões fossem distribuídos para mulheres em uma ciclofaixa da cidade”, contou a jornalista Rosana Reis, durante atividade das Ciclanas no Lady Fest, em Fortaleza, no último dia 11 de março. “Sabíamos que a intenção era boa, mas o significado desse dia é outro”. Mesmo explicando as razões políticas da data, as mulheres que disseram não à iniciativa foram hostilizadas por membros do grupo que não compreendiam suas razões.
“A Ciclovida (Associação dos Ciclistas Urbanos de Fortaleza) já havia nos procurado para realizar uma ação. Quando esse fato ocorreu ficou ainda mais evidente a necessidade de um espaço seguro para falar abertamente sobre o que vivíamos enquanto mulheres e ciclistas, sem ter que nos preocupar com o julgamento dos homens”, lembra. Rosana e mais duas ciclistas (entre elas, a autora desta matéria) organizaram uma roda de conversa para mulheres que já usavam a bicicleta ou gostariam de adotar o veículo.
Surgiam as Ciclanas, que atualmente contam com mais de duas mil integrantes em seu grupo fechado do Facebook. No espaço virtual elas falam sobre assédio, machismo dentro do cicloativismo, mecânica de bicicleta, violência urbana e outros temas ligados a gênero e bicicletas. Fora da internet, palestras, debates, pedaladas, oficinas de alongamento, mecânica para mulheres e até uma cicloviagem são algumas das ações já realizadas pelo grupo.
Há um ano, o grupo (ainda sem nome) se reunia pela primeira vez Foto: Sheryda Lopes
Há um ano, o grupo (ainda sem nome) se reunia pela primeira vez Foto: Sheryda Lopes

Machismo

Os debates são destacados pela cabeleireira Karla Kizzy, 36, como uma grande contribuição do coletivo. “Ter conhecido a realidade de outras mulheres em relação ao seu cotidiano, sua relação com a bike para locomover-se para trabalho, faculdade e afins, assim como assédio e violência que enfrentamos, a constante luta contra o machismo tanto no trânsito quanto na sociedade… tudo isso fez meu pensamento resgatar o que eu tinha esquecido em mim”.
Karla acredita que é importante que mulheres ciclistas de outras cidades se encontrem e debatam essas questões, o que já vem acontecendo: já existe o Ciclanas Blumenau, inspirado na experiência em Fortaleza, e durante o I Fórum Nordestino da Bicicleta realizado em Recife, no ano passado, um debate com a presença do grupo provocou reuniões com outras mulheres nordestinas, que já começam a se articular em suas cidades. Lembrando ainda que essa não é a primeira experiência feminista que envolve o ciclismo: em São Paulo, por exemplo, o coletivo Pedalinas iniciou suas atividades em 2009.
Para a ciclana Renata Araújo, 31, psicóloga, o feminismo tende a transformar o cicloativismo, que ainda é composto, em sua maioria, por homens. Em Fortaleza, ela acredita que o machismo ainda é presente de forma ampla, tanto no trânsito quanto em outros espaços. Porém, sente que o número de mulheres que pedalam em Fortaleza aumentou em relação ao último ano e comemora o fato de o assunto ser discutido. “As mulheres estão se unindo e percebendo a potência disso, elas estão lutando mais, aceitando menos o machismo nosso de cada dia e estão nas ruas”, analisa.
Oficina de lambe-lambe e estêncil em parceria com o coletivo Mulheres no Graffiti, também de Fortaleza Foto: Ciclanas
Oficina de lambe-lambe e estêncil em parceria com o coletivo Mulheres no Graffiti, também de Fortaleza. Foto:Ciclanas