Olga Benario, Audre Lorde, Assata Shakur, Anita Garibaldi,
Emma Goldman, Frida Kahlo. Nomes poderosos (e empoderadores) de mulheres que
fizeram história e fizeram das tripas coração para quebrar/desconstruir o
racismo, o capitalismo, o classismo e, obviamente, o machismo da época em que
viveram/lutaram. Nomes que, hoje, encontram-se como velhas amigas para bater um
papo. Na imagem, um encontro entre Emma e Olga.
Esses são os nomes das bicicletas das minhas amigas (e da
minha própria, lógico). Ao nos encontrarmos, nós, mulheres feministas com suas
bicicletas, ganhando as ruas que nos são rotineiramente impedidas, e de uma
forma não-convencional – afinal, mulheres que usam a bicicleta como meio de
transporte ainda pouquíssimas nas grandes capitais do nosso país, segundo
contagens de ciclistas que são feitas rotineiramente por associações e ONGs de
apoio ao uso da bike – estamos também agindo, de certa forma, como as moças
que inspiraram os nomes de nossas bicicletas.
Estamos todas em luta.
Estamos indo e vindo. Com liberdade de transitar para onde e
quando nós queremos. Sem problemas com horário, sem estarmos presas dentro de
uma estrutura de aço, fechada, reclamando da vida e do engarrafamento do qual
esta própria pessoa e carro são co-responsáveis.
Estamos lutando pelo fim da cultura do medo que cerceia as
grandes cidades. Medo que, sabemos, atinge bem mais as mulheres. Afinal,
estamos ali, expostas, sem a “proteção” da estrutura de aço do carro. Expostas
à carrocracia. Expostas à violência comum a todas as pessoas, mas expostas
também à violência específica que só nós, mulheres, sabemos qual é. Expostas,
sempre, ao machismo nosso de cada dia. Às mulheres negras, ainda mais uma
exposição: ao racismo nosso de cada dia.
São muitas exposições, sim. Mas essas exposições também são uma forma de lutar contra várias culturas e sistemas aos quais somos contrárias. Estamos lutando contra o capitalismo, que afirma que a pessoa precisa de um carro para ter status social, afinal, a bicicleta é o meio de trEansporte mais democrático dentre todos: é para rico/a, é para pobre. É para todos. E precisa ser visto que é, também, para TODAS.
São muitas exposições, sim. Mas essas exposições também são uma forma de lutar contra várias culturas e sistemas aos quais somos contrárias. Estamos lutando contra o capitalismo, que afirma que a pessoa precisa de um carro para ter status social, afinal, a bicicleta é o meio de trEansporte mais democrático dentre todos: é para rico/a, é para pobre. É para todos. E precisa ser visto que é, também, para TODAS.
Mulheres feministas negras que usam a bike como meio de
transporte estão lutando contra o racismo, expondo para o mundo seus cabelos
crespos/cacheados e sua pele negra, expondo seus turbantes, expondo sua
indumentária e vestimentas, e saindo do lugar no qual a sociedade espera que
elas estejam. E esse lugar, com certeza, não é a rua.
Estamos, todas nós, juntas ou em pedais solitários, lutando
contra o machismo, a partir do momento em que não aceitamos o assédio nas ruas
enquanto nos locomovemos de bicicleta (e em nenhum outro momento, ressalte-se)
e a partir do momento em que fazemos a diferença em termos de número de
ciclistas mulheres ocupando os espaços públicos. Muitas de nós fomos educadas
para ficarmos dentro de casa, cuidando da casa e dos filhos, e a cena de uma
mulher pedalando livre, solta e feliz (eu ainda canto! J) pelas ruas - e fazer o
mundo entender que isso não significa liberdade para os homens nos invadirem,
seja fisicamente, seja verbalmente - é algo com a qual a sociedade ainda se
acostumar. Mas nós estamos aí, ajudando neste processo. Somos poucas, mas não
somos silenciosas, nem admitimos silenciamento de nossas vozes.Por isso, mulheres, peguem suas bicicletas. Venham para a rua. A rua é nossa. Com filhos, sem filhos, o mundo também nos pertence. E a bicicleta é uma potente arma para mostrar à cidade que estamos aqui e que não aceitamos mais ter “direito” (ou dever?) apenas ao mundo privado. E – o mais legal – muitas vezes, você não precisa dizer uma palavra para mostrar o seu poder e as suas demandas como mulher. É só subir no selim da bici e ganhar o mundo rumo ao seu destino (ou mesmo sem destino, o que é uma delícia!), um mundo que também é nosso por direito. Muitas vezes, uma imagem ou uma cena que quebra o cotidiano das pessoas vale mais do que qualquer palavra de (des)ordem.
Então, que o espírito de luta dessas mulheres maravilhosas
que homenageamos ao nomear nossas bikes esteja sempre conosco! \o/
E, quem tiver tempo, colocar os nomes dessas moças que
nomearam nossas bicicletas no Google é um ótimo aprendizado sobre empoderamento.
São mulheres inspiradoras.



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