Hoje é dia de comemoração! Há exatamente 1 ano nossa bike
familiar Oyá entrou em nossas vidas, facilitando a logística por bicicleta de
uma família composta por uma mãe e duas crianças já grandinhas.
Usamos por muitos anos nossa querida Olga Benario – bike que
ainda é usada por mim de forma individual agora, e muito, mas MUITO querida,
por ter me reiniciado no mundo do cicloativismo, por ter segurado tantas onda
junto comigo e com meus filhos, seja transportando a gente no “ajeitadinho” de
gambiarra de uma mãe um pouco maluca, que nunca teve medo de arriscar, mas
justamente por ela sempre ter sido uma bicicleta que mostrava uma força
fenomenal.
Mas chegou naquele período em que eu percebi que estava
arriscado demais levar duas crianças pesadas numa MTB, com a cadeirinha frontal
já ultrapassando em muitos quilos o limite máximo de peso (meus parabéns às
cadeirinhas Kalf, que seguraram muita onda também, já que a dianteira chegou a
transportar diariamente 22kg de Nina, quando o limite máximo era de 15kg – NÃO FAÇAM
ISSO, OK?).
Porém, sem grana para nada extra, acolhi a sugestão de uma amiga: faz uma vakinha de aniversário pra comprar uma bike de carga! Pois fiz. E foi linda a adesão das pessoas. Consegui arrecadar a grana suficiente para a bike de carga e colocar mais um monte de acessórios nela. Troquei pedal, quidão, e ainda hoje eu continuo “tunando” aquela que, hoje, é a cargueira mais linda da cidade do Recife.
Nossa Aféfé Oyá, por onde passa, deixa um rastro de sorrisos e cores. Tem logo no guidão, guiando nossas pernas, a imagem da santa que foi homenageada, minha mãe no Candomblé. Sobre a deusa, é ela quem comanda os ventos, tem caminhos com Obaluaê e Egun. Veste vermelho e branco, também usa coral. Aféfé, o vento, a tempestade, acompanha Oyá e a leva para onde ela deseja ir. Oyá é orixá guerreira e forte, pouco “feminina”, pois a guerra é sua prioridade. Mãe de 9 filhos. Nenhum nome poderia ser mais adequado: mãe, guerreira, não tão feminina como ditam os estereótipos culturais, não é doce e deliciada, mas é amor e paixão em excesso, forte, temperamental, mas nunca deixa nunca seus filhos na mão. É pau pra toda obra, e se alguma coisa a contraria, sua capacidade de guerrear é pura e simples tempestade.
Então, hoje, 17 de maio – um dia antes de meu aniversário de
43 anos, venho aqui para, novamente, agradecer todas as pessoas que me
proporcionaram (a mim e a minhas crianças) ter um veículo eficiente como é
nossa Oyá. E comemorar seu primeiro ano de vida, já com muitas aventuras e até
uma viagem para outro estado.
As cargueiras são bicicletas absolutamente incríveis. A
todas as pessoas que têm algum preconceito com elas, recomendo que repensem.
São bicicletas leves demais para pedalar (apesar de serem pesadas para carregar
nas costas subindo a escadaria do metrô hehehehe) e substituem com honras e
méritos um carro, sem ocupar o espaço que o carro ocupa, sem pôr em risco as
vidas que o carro põe, transportando com maestria três ou quatro ou mais
vidinhas em seus bagageiros ou quadro. São bicicletas populares, de fácil
acesso mesmo para quem tem pouco poder aquisitivo. Aguentam sem frescura
qualquer tranco que lhes seja imposto.
Eu, hoje, almejo uma bicicleta fixa para sair voando pelas
ruas de Recife, e uma dobrável para meu filho. É possível que consiga. Mas a
cargueira... Ah, isso aí é amor eterno. Sem dúvida.





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