sexta-feira, 27 de maio de 2016

A dor de ser mulher



No dia 25 todas as feministas adoeceram. Morreram um pouco por dentro. Foi divulgado na imprensa um estupro coletivo contra uma menina de 16 anos, por 33 homens, dentre eles, um que ela se relacionava há três anos. Sim, TRINTA E TRÊS HOMENS violentando uma criança chamada Helena. Não satisfeitos em estuprar, foram mais longe: filmaram o crime e divulgaram no Twitter. E as imagens dessa atrocidade foram compartilhadas por muitos outros homens que acharam "engraçado".

Nos comentários das matérias, o de sempre: culpabilização da vítima. Sempre a mesma ladainha. Sempre pessoas tentando justificar o crime com a colocação inadequeada de que eles "são psicopatas, monstros, doentes".

Não são.

São homens. Como seu pai, como seu irmão, como seu primo, como seu tio. HOMENS. 

Homens que recebem da cultura um respaldo enorme para fazerem o que fizeram. Homens que são ensinados desde cedo a serem predadores sexuais de mulheres, que são ensinados desde muito cedo que o corpo das mulheres é um bem público, que pertence a eles, e, por isso, eles podem fazer com esse corpo-objeto o que bem entendem.

Homens NORMAIS. Que subjugam e acham que humilhar mulheres é papel deles na sociedade. Homens normais que odeiam mulheres, como muitos que existem.

Quando nós falamos em educação feminista das crianças, nós batemos nessa tecla: ensinem seus meninos a não serem predadores, não ensinem suas meninas a se protegerem dos homens. Parem, de uma vez por todas, de enfatizar estereótipos de gênero na sua educação, pois isso é um grande fator causal dessa cultura do estupro em que nós, mulheres, precisamos aprender a sobreviver. Parem de falar "prenda sua cabrita, que meu bode está solto!". Parem de falar "beija ela, paquera ela" pros seus meninos. Parem de falar "e tu por acaso é uma menina, é?" quando seu filho chorar. Apenas: PAREM.

Não queremos textão de feministos. Não queremos apoio da escrita pra fora. Não precisamos de homens falando o que não fazem.

Pare e pense: o que você tem realmente feito para exterminar essa cultura de violência contra as mulheres nos seus grupos de amigos homens? Sério mesmo. Você já parou de explorar sua mãe, como se ela fosse uma escrava doméstica sua? Você coloca sua indignação quando seus amigos homens compartilham ou falam piadas misóginas? Pense bem. Tem muito o que fazer, sem precisar ser da boca pra fora apenas. É feio, vocês que fazem isso são bem queimados junto às mulheres que sabem quem vocês realmente são, então, por favor, parem de pedir biscoito às mulheres fingindo nos apoiar. AJAM. Não defenda seu amigo abusador de mulheres em trasporte público. Foda com ele, na verdade. Aliás, se você é tão apoiador das causas das mulheres, como é que você consegue ser amigo de um agressor de mulheres? Pense nisso.

E faça a real diferença nessa luta. Porque nós temos crianças, meninas, que estão expostas a tudo isso, desde já, e não importa a idade, sabem? A maioria das histórias de terror que nós, mulheres, vivenciamos começa na infância. Começamos a temer vocês muito, mas muito cedo. Vocês não fazem ideia do que é ter medo de um semelhante. Não fazem ideia do pavor que é imaginar ser estuprada, e mudar A VIDA para prevenção disso. Viver em função desse medo.

Todo meu apoio, minha dor compartilhada, meu abraço, minhas lágrimas, a essa menina Helena, que teve sua vida absolutamente estraçalhada a partir da violência à qual foi - e continua sendo, através da exposição e culpabilização - submetida.

Estamos todas de luto.

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